O esporte tem uma característica de objetividade que destrói este tipo de ilusão. Kasparov dizia que gostava de jogar com os computadores porque eles não jogavam o tabuleiro no chão quando perdiam, mas até mesmo ele, quando perdeu para um computador, não foi capaz de agir dignamente e reconhecer a derrota.
Quando se está em uma prova de rua, correndo, qualquer ilusão se desfaz diante do esforço, da dor e da visível comparação que fazemos com outros atletas. O asfalto é, quase sempre, duro o suficiente para quebrar o ego e o orgulho próprio. O tempo e a colocação quando divulgados complementam a destruição, se é que ainda restava algo de ego.

Parece ruim? Não. É ótimo. É uma lição de vida incrível. É uma lição de humildade essencial!
Uma mente de campeão é aquela que não foge dos números e das comparações assim como não foge das competições. Mas também é aquela que está acima dos números e das comparações. Atingiu tal nível de maturidade que os superou. É capaz de olhar para a vida e para o esporte além dos resultados, dos treinos, das planilhas e dos adversários. Não tem mais a ilusão de ser insuperável, mas tem a convicção interna e a segurança para enfrentar o que vier, ainda que seja uma decepção. Uma mente de campeão também desconfia das próprias conquistas para se afirmar.
Ser campeão é vencer a própria mediocridade e superar a banalidade da vida.
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