
Minha preparação para a primeira meia maratona havia se iniciado em março, de forma que aumentei gradativamente os volumes(longões) sempre com alguma dificuldade: 15, 17 e 19 km.
Nos treinos de ritmo procurei usar sempre provas intermediárias de 10 km e nos intervalados procurei correr sempre abaixo de 4:30min/km. Fiz, ainda, um teste de fogo correndo as 10 milhas, no fim do mês passado, em ritmo de meia-maratona e tudo foi bem, exceto os joelhos, que sentiram bastante.
Uma das minhas metas para este semestre era participar da meia-maratona de Floripa, a outra era fazer um tempo menor que 1h50min nos 21km. Eu sabia que por ser razoavelmente plana, poderia conseguir atingir os dois objetivos. No entanto, nas duas últimas semanas consegui correr muito pouco, pois tive que poupar os joelhos e procurei manter a capacidade aeróbica apenas nadando. Ainda na última semana não consegui dormir nenhuma noite inteira devido ao meu filho ter ficado doente.
Assim, fui receoso para a prova. Estava um pouco cansado, fora do pico máximo de condicionamento e com os joelhos doendo.
A promessa dos organizadores era de que a prova fosse "fria como Nova York, rápida com Berlin, bonita como Floripa".
Bem, a temperatura estava próxima dos 20 graus, o que deve ter limitado um pouco o rendimento geral principalmente porque estou acostumado a correr até no máximo 10 graus, no inverno, mas não estava chovendo nem tampouco nublado o que tornou de fato a prova muito bonita por ser á beira-mar.
A largada foi antecipada para as 7:30h e contou com 6000 participantes que disputavam também provas intermediárias de 5 e 10 km.
Eu sabia que tinha que disputar a prova de maneira inteligente e programada e não como nos 10km em que se sai à toda e procura manter até o final o mesmo ritmo.

Planejei correr a um ritmo de 5min/km até o km8, e depois passar a 5:20 até o vigésimo, deixando ainda o último km para correr a 6min/km. Era uma estratégia com split positivo mas conservadora. Eu tentaria alcançar meu objetivo no início da prova e dependendo de como os meus joelhos se comportassem, manteria até o final. Se algo desse errado eu simplesmente andaria até o final da prova.
Assim, dada a largada, mantive-me disciplinadamente a 5min/km até o km6. Nos kms 7 e 8 escorreguei um pouco perdendo alguns segundos mas recuperando até o km 10. Até aí estava muito tranquilo sem cansaço, sem dores e com respiração tranquila.
Dos km 10 ao 13, já comecei a sentir um pouco de cansaço e perda de concentração. Por incrível que pareça, as paradas para hidratação, que são muito importantes neste tipo de prova, acabam gerando desconcentração e perda de ritmo. Assim, a vantagem conseguida no início da prova começou a cair lentamente. Quando cheguei ao km 16 já estava realmente cansado embora ainda não exausto. Infelizmente, tinha ainda que enfrentar algumas subidas no acesso e na ponte que me desgastaram ainda mais.
Eu tentei aumentar o ritmo para fechar com folga mas meu corpo não conseguiu responder. Embora, a capacidade aeróbica estivesse ótima, o ritmo cardíaco já estava próximo de meu limite máximo e indicava o meu sofrimento.

Dos km 17 ao 20 cheguei ao máximo (185 bpm). Eu sabia que não poderia suportar muito tempo assim mas insisti. Eu não tinha mais folga no relógio pois tinha rodado a 5:30 nos últimos 2 km por causa das subidas. Assim quando iniciei o derradeiro quilômetro já enxergava a linha de chegada. Fechei o km 21 no tempo de 1h:49min:36s. Exatamente 24s abaixo do previsto. Mas para variar ainda não tinha chegado ao fim da prova pois havia mais 400m até a linha de chegada. Fechei a prova com 1:51:30, completamente exausto. Tive dificuldade até para continuar andando.

A exaustão limita qualquer comemoração. Levei uns quinze minutos para me recuperar me hidratando e me alimentando no camarote da O2.
Fatos interessantes e observações:
- Ritmo cardíaco máximo com respiração tranquila e normal.
- Passar quase duas horas correndo acima de 90% da frequência cardíaca máxima;
- Um cachorro vira lata correu conosco, hora mais à frente, hora mais atrás, quase toda a prova. Como ele consegue?;
- A infinidade de postos de hidratação tornam a prova bastante repetitiva e monótona, até certo ponto;
- O silêncio geral após o km15, restando apenas os barulhos das passadas, dão à parte final da prova um contorno sombrio;
- A maior parte das pessoas que assistem e falam com você incentivam que se termine a prova, quado, na verdade, isto é o que menos importa
para o corredor que tem uma meta de tempo;
- Há corredores que não estão preparados nem para fazer uma prova de 5km mas insistem em tentar os 21.
- Para quem mora no sul, 20 graus já é calor, para quem mora no nordeste, ainda é frio;
- Nunca vi tanto fotógrafo em uma prova. Eles estavam em todos os ângulos. Isto é que é ser famoso;
Nenhum comentário:
Postar um comentário